Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

sábado, 1 de dezembro de 2012

Amor e Soneto

Autora: Mônica Melo

Sobre duas almas,
Uma partitura pode ser criada,
Na harmonia de gestos mágicos
Nosso amor dissimulado
Não vivido, não falado,
Algo Sonhado.

Um desejo e um arrepio desvairado,
Nossa paixão sempre temida,
Banida da sua realidade contida,
Amadurecida,
Amanhã a música perfeita,
Será, para nós, tocada.

Insano e impulsivo Id,
Grita um alto Sim aprisionado,
Traindo toda censura sofrida,
Pelo prazer solto e desgarrado.

Bendita cumplicidade,
Descansa nua,
A dormir no silencio do nosso nome,
Em sorriso do perfeito soneto,
Nós dois,
Em sol maior.








sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Baile da Despedida



Pedro e sua avó
Foi emoção pura, o que vi em seus olhos,
Uma mistura de saudade e tristeza.
E você pensava que seria tão festejada a chegada deste dia.
Pois seria o fim do Boletim,
Das unidades,
Das chamadas oral, das recuperações e finais,
Fim do fardamento completo,
Da pasta para assinar, de ter que levar a mãe para conversar,
Nada de tarefas, aulas de geografia ou biologia.

Quem diria que ao chegar esse dia,
O dia da última página do seu Livro Escola,
Veria em você um toque de nostalgia.

Não dá para simplesmente seguir em frente,
Pegar este belo livro escrito com a primeira parte de sua história,
E largá-lo numa estante qualquer para enfeitar,
Foram cerca 2920 páginas escritas,
De muitas contos, romances, dramas e aventuras,
Tudo isso no mesmo lugar,
O pátio da Santa Maria.

O que fazer agora?
O jeito é alargar essas horas,
Com festa todos os dias!
Baile a rigor, a after, a after da after,
Assim vocês resolveram emendar,
E comemorar, de leve, já que tem Roacutan para tomar.
Ver-se todas as horas,
Esticar essa história,
Pois ninguém nunca fez guerra,
Ou escravizou povo algum.

Mas sempre, grandes amizades, 
E muitos tratados selados com a galera,
De pelada, de festas e pegação,
Na moral "véi", tudo isso naquela escola, 
Cheia severas regras, de azulejos azuis,
Ponte, lago com peixes e hinário.
Vocês acompanharam lá a nova era,
A era da RosaAmélia,
Ela agora como diretora,
Após a Morte de Dodô, a fundadora.

Mas é chegada a hora,
Não a do Recreio ou a de largar quando tocar,
Nem a dos Jogos da amizade,
A hora que te falo agora, filho, é a do Adeus,
Do Adeus ao seu colégio,
Do Adeus aos anos que não voltarão mais,
E quando, um dia, você se ligar,
Terão passado, a jato, tanto tempo.
E quando você ouvir uma velha música tocar,
(“…now you’re just somebody that I used to know…”)
Vai recordar do ano do seu vestibular,
Ano da dobradinha dia doze, do mês doze e ano doze,
De um Enem na sala doze,
Um ano de maturidade,
Da reeleição de Obama,
Do furacão em Manhattan,
Ano que você soube o que era ser criado por vó,
E que mesmo com toda a correria,
Teve direito a uma viagem para um porto,
Não tão seguro, aos meus olhos.
Foi um ano de muitas redações e recordações.

Meu filho, espero que você lembre-se sempre,
Do discurso do seu professor de literatura,
Na sua festa de formatura,
Assim nenhum nome que foi dito, será esquecido.

Quero deixar aqui o meu recado, filho querido.
Nunca abandone o sentimento mais sublime,
O de sempre valorizar as amizades verdadeiras,
Mesmo que se passem 5,10, 15 anos ou mais,
Independente do título, se mestre ou doutor,
Que vocês continuem a ser simplesmente,
"Galego","Tonhão", "Cuca", "Uzaboy", "Ray",
"Muniz", "Balove","Gê","Cadão", "Cabeça", 
"Pipos", "Tedy", "Sueta", "Julinha", "Owal", 
Entre outros, todos tão belos amigos.

E ainda te digo o mais importante de tudo,
Não se perca de você,
Busque seus sonhos,
De um belo futuro, 
De ser um bom engenheiro,
Os seus sonhos de jovem,
Que iniciaram-se naqueles dias,
Nos dias de Santa Maria.

domingo, 4 de novembro de 2012

Nosso Lugar


A Veneza dos Alpes, Annecy, foto tirada por Mônica em agosto de 2012
Autora: Mônica Melo

As pedras que antes paralisaram-nos,
Racharam e desmoronaram,
Usamos todas elas na construção dum santuário.

Sem regras determinadas,
Distantes das fantasias e poesias,
Perto do desejo em carne viva,
Encontramos o lugar nosso,
Um mundo encantado.

Onde o querer expôs seu poder,
Em vida e liberdade,
O feitiço de marfim se desfez,
Com ávidos beijos guardados,
Suados, molhados,
Nós dois,
Seres enamorados!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Terapia e Jardim

Autora: Mônica Melo


As linhas não escritas estão subentendidas,
Nos gestos e nas profundas falas,
Como os pensamentos ungidos,
Ao pé do ouvido do terapeuta,

Em face das promessas não cumpridas,
Se ignora, grita ou apavora,
Um encontro d'alma,

Essas palavras silenciadas,
Apagam os versos e prosas,
Deixam vacilos sem sentidos,
Que quando descritos,
Somam-se numa caixa de pandora,


Verdejante olhar sobre as janelas,
Admirava as folhas secretas e molhadas,
Hoje desidratadas, abandonadas,
Foram por tantas estações cultivadas,

Como estarão as árvores do velho jardim,
De alegrias, baobás e ironias,
Figueiras jiboias e samambaias,
Enraizadas, caladas,
Fincadas num mesmo lugar, paradas.

domingo, 22 de abril de 2012

Um poema sem nome

Autora: Mônica Melo

Esse poema que bem ou mal escrevo,
Vem com força, pele e sangue,
Seja ele o que for,
Uma flor com esplendor,
Ou um minúsculo grão largado no chão.

Esse poema que bem ou mal escrevo,
Vem com força, pele e sangue,
Seja ele o que for,
Uma flor com esplendor,
Ou um minúsculo grão largado no chão.

Escrevo para os dias de agonia,
Para quem voa pelo céu,
Ou n'água segue a nado.

Escrevo esse poema para que ele possa gritar,
Vindo do fundo de minh'alma,
Para tocar em mim e em você,
Em quem quiser ler,
Como musica que acalma e relaxa.

Escrevo para não ficar nenhuma folha ou vida em branco,
Escrevo para transbordar meu pensar,
Escrevo para você e eu nos encontrar.

Escrevo por tudo e por nada,
Escrevo sem saber porquê,
Sigo escrevendo, sigo andando.

Não sei onde vai chegar,
Rodando pelo mundo e perdido ao vento,
Sem nome, sem sobrenome.
Apenas um poema.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A sereia e o pescador

Autora: Mônica Melo

Numa tarde olhando o mar,
Vendo o sol alaranjar,
Pensei que hora do dia tão bela!
A que os pescadores saem para pescar.

Uma brisa passou por mim, como querendo falar,
Por do Sol na prai de Toquinho, Pernambuco
Caminhei e segui sem entender nem analisar,
Me levou, docemente, até água fria do mar,
Sentia algo me hipnotizar,

Cai n'água clara e nadei como os peixes,
Minhas pernas começaram a escamar,
Virei uma sereia, a rainha do mar,
Mas não queria viver assim,
Sob as águas salgadas eternamente.

Foi de repente que senti cordas em cima de mim,
Olhei para cima e percebi um barco parado,
Com um homem bonito de cabelos prateados,
Ele me tirou da rede com muito cuidado,
Saí da água pelos seus braços largos,

Senti por ele um amor diferente,
Ele me esquentou, secou meus cabelos,
Cantei pra ele a canção do mar,
Ele sorriu, não falou nada só me beijou,
Minhas pernas voltaram sem escamas,
De sereia a gente novamente,

Em alto mar, anoiteceu, o sol se escondeu,
Senti medo pois a maré logo encheu,
Mas ele tão cavalheiro me acalmou e protegeu,
Ficamos os dois a olhar estrelas, sob o luar,
Mas não sabia se mulher ou sereia,
Em algum dia iria ele, por mim se apaixonar.

terça-feira, 13 de março de 2012

A fantasia do poeta

Autora: Mônica Melo

Meus impulsos escrevem e só revelam tanta sofreguidão,
Por ser o sofrer, uma semente que não quero ver nascer,
O bar do Poeta fica na praça central em SintraOu crescer em meus dias de alegria,

Poeta ironiza, deita,
Deleita-se com estórias desmedidas,
Sem medo, sem preconceito,

Poeta alimenta o espaço entre o não dito e o não vivido,
Poeta é santuário de verdades,
Ou inverdades, mesmo que para uma rima,
Adestra ou libera sentimentos formados de palavras, frases e metáforas,
Levando a si e a quem o lê às portas do céu ou inferno,

A natureza da poesia,
Mora na vida de todos nós, poetas que somos,
Cobiçamos por momentos e dias,
Como raras obras de arte,
Doses de sensação, intuição, pouca razão,
Realidade e fantasia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estória Encantada

Autora: Mônica Melo

Delataste o teu amor sentido,
Pelo roubado beijo dado,
Proibida a reprodução
Do poeta na personagem,
Criada na sua fantasia escrita.

Ser para ele a mulher sonhada,
Vinda de suas estórias encantadas,
Agora tem sua vida própria,
Não mais presa nas folhas pautadas.

Mas num mundo longe da ficção,
Perdeu de vez, ele, sua protagonista,
Agora numa vida sem manipulação,
Não troca mais sua liberdade,
Por nenhum livro de ação,

Poeta triste e solitário,
Escreve entao outro romance,
Em que a sua heroína,
Se transforma em esposa,
Daquele que vem a cavalo,
Era o plebeu, o poeta,
Ou um príncipe encantado?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Carnaval

Autora: Mônica Melo



Não tem tristeza, chegou o Carnaval!
Vamos atrás de algum bloco para se contagiar com a alegria,
Viver cada momento eletrizante,
Andar pelas ruas e olhar todo povo saltitante,
A pular pra cá e pra lá, em grupos ou turma,
A procura de alguém para frevar,
Beber, ficar ou paquerar.

Festa feliz de cores e muita arte,
Com lindas fantasias e estandartes,
Realizando o sonho de ser qualquer pessoa,
Freira, padre, fada, pirata, bruxa ou homem de lata,
Ousar sambar como as mulatas,
No carnaval tudo pode!

Tanta criatividade nas ruas e nos bailes,
Romances também são rompidos,
Outros iniciados e bem resolvidos,
As máscaras nos rostos não escondem nada,
Nem as intenções, tão pouco quem são.

Pessoas esquecem a dor,
Ali alma não chora,
Subindo e descendo as ladeiras de Olinda,
Ou nas antigas ruas do nosso Recife,
Se entregar os quatro dias de festa,
Até a chegada da ingrata quarta-feira.


    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

    Embalagem



    Autora: Mônica Melo

    Lago Ontário, Toronto, Canadá

    Sobre vaidade a mulher transforma,
    Cabelos, pele, dentes.
    Ávida beleza até agradar espelho,
    Raro me satisfaço com o que vejo,
    De um jeito temo o olhar alheio,
    Daqueles que amo e odeio.
    Difícil é ser livre da porção imagem,
    Roupa, sapato, batom no tom,
    Quem me dera poder mandar à merda,
    Moda amordaçada e presa,
    Embalagem e rótulos tão iguais.
    Criar e usar a estampa que me veste alma,
    Olhar o espelho e enxergar,
    Mulher mais feliz e bela.

    domingo, 29 de janeiro de 2012

    Noves fora


    Foto pessoal, Proibida a reprodução
    Autora: Mônica Melo


    Te acho um fraco,
    Um homem sem coragem,
    Prefere a infelicidade,
    Vive uma vida de camuflagem,
    Testando virilidade,
    Perco a admiração,
    Dividir em tantos pedaços,
    Esmigalhados como barato pão,
    Desejo assim é só subtração,
    Uma matemática de noves fora,
    Onde o resultado vai ser zero,
    Sempre não!