Quem sou eu

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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma Pessoa, amor, Fernando.

Autora: Mônica Melo

Uma Pessoa, disse Fernando,
Que cala, emudece a fala,
Para não dizer ao outro o que sente.
Lago Annecy, França, verão 2012
Mas se ela, Pessoa, fala e diz quanto sente,
Some para não sei onde,
E sua voz, num silêncio paira,
Busca a Pessoa sua alma,
Ali tão solitária em si ficara.

Calada agora, nem fala,
Sequer sabe onde se encontrara,
Sua própria mente,
Ao olhar para si,
Perde a alma.

Gente, poeta, gênio,Fernando, disse,
Sobre o amor, um não pensar,
Sabe olhar, mas não revelar,
Pessoa, nem precisa falar,
Em si sente.

domingo, 18 de setembro de 2011

Calor, amor e verão

Autora: Mônica Melo

mpg.melo@gmail.com
Marca meu corpo,
Com tua chama,
Bronzeia.
Mas não me queima,
Se não de amor,
Sedução!

Chama, grita o meu nome,
Que te dou beijos molhados,
Alivia sua carne que arde,
Sol e calor.

Seu corpo nu sente,
O meu ventre,
Como um oceano,
Loucura no ar,
Beira Mar.

Um homem, uma mulher,
Uma história,
Duas vidas,
No mais quente verão,
Paixão!


Um pouco de Fernando Pessoa

EROS E PSIQUE

Autor: Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
















sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Verdade dita de frente

Autora: Mônica Melo

Sei quanto dói um não dito de frente,
Indecente entrar no mais fundo,
De um ser impotente.
Por que ser indiferente?

Penso que sei o que sente,
E ao mesmo tempo,
Vejo que mente.

Não me queira por mais nenhum dia,
Nem um minuto ou segundo,
Sem essa de dias sem graça e escuros,

Quero um amor profundo,
Que mergulhe n'alma,
E traga leveza para o meu mundo.