Autora: Mônica Melo
Li um dia que Clarice escrevia, sobre o quê das pessoas deveria ela falar,
Ao perceber que faces balbuciavam, então, sons demonstrando que algo ainda estava para ser dito.
Imaginei um encontro com ela,
O que será que me escreveria?
Para tão nobre poeta, de mim, poderia ela falar o bem ou o mal, qualquer um que preferisse,
Nem me importaria, e todavia, exprimiria com vontade suas palavras criadas,
Uma personagem de um livro seu...
Devaneio meu?
Mas resultaria em alguém maior e melhor que eu,
Que sorte daquele que a inspirou um poema seu,
Dando vida a pensamentos tão geniais,
Representando assim, a pessoa que preferiu calar a falar,
Por temer ou até mesmo, desconhecer...
Quão bom seria ter em sua vida, uma atitude sua definida e jamais distorcida nos mais belos escritos de Lispector, grande Clarice.
E eu, que bom que descobri tão precocemente,
Que suas palavras eram para mim tão eloquentes,
Entretanto, era imatura para explicar, exatamente, o que em mim refletia,
Lembro apenas que ao ler, sorria,
Com a forma e significado daquilo que meus olhos viam,
Me perdia até num tempo, sem saber a hora ou dia que então ali estaria,
Se ao me deitar, estivesse eu com um livro seu...
Rapidamente partia em viagens e sonhos maravilhosos,
Provocados, fortemente, por tão valiosas linhas.