Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um beijo de marfim


Autora: Mônica Melo

Pensei em não escovar os dentes,
Estátua O Beijo, no Parque do Amor em Lima, PeruSó para não tirar da minha boca,
O seu beijo quente,
Choque da temperatura,
De minha pele na sua,
Após seu café tomado,
Senti um gostoso amargo,
Combinado ao cheiro do seu cigarro,
Um silêncio calado por aquele beijo,
Foi amaldiçoado,
E um amor petrificado,
Oh! mas que triste o nosso fim,
Nós dois agora transformados,
Em uma escultura de marfim.

sábado, 19 de novembro de 2011

Brisa de Outono

Autora: Mônica Melo
Nasceu luz,
Brilho do dia,
Refletiu o rosa, lilás, azul,
Que a alvorada trazia,
Sua voz, uma hipnose,
Ao pé do ouvido jurou,
Amor.

Com a calma,
De uma brisa fria,
Abraçou-me,
Senti tremor,
Olhei os girassóis,
Se foi o calor,

Caiam das árvores,
No chão, as folhas secas,
Beijou-me levemente,
Voou condor,
Juntos andávamos,
A olhar,
Outono chegou.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Novidade

Foi criada uma nova Rede de Arte e Poesia,
o objetivo da rede é promover o encontro virtual
entre pessoas que gostam de arte, 
ter a possibilidade de divulgar e conhecer a arte de muita gente,
e ainda aumentar a visibilidade entre editoras, marchands e empreendedores do ramo
que por ventura venham a se interessar  por sua arte..


Eu já sou um membro e você?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Como vela em águas calmas do mar

Autora: Mônica Melo

Vela navega em pleno mar,
Cravada no meio de um barco,
Levada pelas águas através do ar,
Vela queima a cera na mesa
E ilumina nosso jantar,
Ao luar.

Candeia derrete com o calor do fogo,
Chama dança com a brisa do ar,
Mas se o barco à vela por ali passar
E respingar água do mar,
A nossa luz da vela se apagará,

Na penumbra ficará o nosso jantar,
Mas se você me chama para velejar,
Vamos de barco à vela a nos levar.
Olhar as estrelas,
Nos amar em alto mar.

domingo, 9 de outubro de 2011

Um mundo só de Criança

Autora: Mônica Melo

Brincar de amarelinha,
Rodar pião,
Esconde-esconde,
Espião,
Doce idade de liberdade,

Para onde foi sua criança?
Bom trazê-la para dia a dia,
Acordar com ingenuidade
Amar sem interesse,
Ter a mágica das fantasias,
Vislumbrar só alegria,

Correr sem saber para onde,
Se aventurar na natureza,
No trabalho, aquela leveza,
Humildade, verdade,
Para que arrogância, ganância?

Certamente ao final da jornada,
Chegaríamos àquele lugar,
Mais perto das nossas crianças,
E com tranquilidade,
Poder com os nossos filhos,
Contar carneirinhos,
Sonhar com paraíso,
Dormir em paz,

Porque todo dia tem mais.
E no mundo, corações só de criança,
Esperança,
Batatinha frita um, dois, três...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma Pessoa, amor, Fernando.

Autora: Mônica Melo

Uma Pessoa, disse Fernando,
Que cala, emudece a fala,
Para não dizer ao outro o que sente.
Lago Annecy, França, verão 2012
Mas se ela, Pessoa, fala e diz quanto sente,
Some para não sei onde,
E sua voz, num silêncio paira,
Busca a Pessoa sua alma,
Ali tão solitária em si ficara.

Calada agora, nem fala,
Sequer sabe onde se encontrara,
Sua própria mente,
Ao olhar para si,
Perde a alma.

Gente, poeta, gênio,Fernando, disse,
Sobre o amor, um não pensar,
Sabe olhar, mas não revelar,
Pessoa, nem precisa falar,
Em si sente.

domingo, 18 de setembro de 2011

Calor, amor e verão

Autora: Mônica Melo

mpg.melo@gmail.com
Marca meu corpo,
Com tua chama,
Bronzeia.
Mas não me queima,
Se não de amor,
Sedução!

Chama, grita o meu nome,
Que te dou beijos molhados,
Alivia sua carne que arde,
Sol e calor.

Seu corpo nu sente,
O meu ventre,
Como um oceano,
Loucura no ar,
Beira Mar.

Um homem, uma mulher,
Uma história,
Duas vidas,
No mais quente verão,
Paixão!


Um pouco de Fernando Pessoa

EROS E PSIQUE

Autor: Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
















sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Verdade dita de frente

Autora: Mônica Melo

Sei quanto dói um não dito de frente,
Indecente entrar no mais fundo,
De um ser impotente.
Por que ser indiferente?

Penso que sei o que sente,
E ao mesmo tempo,
Vejo que mente.

Não me queira por mais nenhum dia,
Nem um minuto ou segundo,
Sem essa de dias sem graça e escuros,

Quero um amor profundo,
Que mergulhe n'alma,
E traga leveza para o meu mundo.

domingo, 19 de junho de 2011

Viajando no tempo

Autora: Mônica Melo


Naquela noite chuvosa,
Te via lendo tudo o que escrevera,
Ficou em mim sua imagem,
Voz, calma e tranquila e sonora,
Com minhas linhas, e ritmo, se misturavam,
O barulho de chuva de fora caindo,
E em seus olhos emoção,
Foram as lembranças remotas de seu avô,
Lá no interior,
Das terras das montanhas de prata,
E junto com você eu voei,
Para aquele tempo me reportei,
Conheci seu avô e você pequeno,
Me aproximei e contigo caminhei,
Corremos para a gruta,
Para de seu avô escondermos,
Rindo sem parar,
Só seu beijo foi capaz de me calar,
Ao sentir você me tocar,
Para o presente fui obrigada a voltar,
Levada pelo vendaval da chuva que hoje caia,
Com sua fúria fora me buscar,
Somando-se com todas vindo dos tempos,
Até lá chegar,
E você sem entender,
Só o que consegui foi te dizer,
Que no futuro,
Iríamos novamente nos ver.

sábado, 18 de junho de 2011

Trabalho

Autora: Mônica Melo


É incrivel ver tanta gente,
Indo e vindo rapidamente,
Com pressa de chegar,
Ponto para assinar,
Reunião para começar,
Carros buzinando, ônibus lotados,
Pessoas atravessando sem cuidado,

Imaginei bem ali,
Uma cena igual a um livro que li,
Todos parados, como se congelados,
Nenhuma correria,
Procurando o que faz cada um vibrar,

Num silêncio que paira no ar,
Todos se pondo a pensar,
Descobrir que bom é: só fazer se amar,
Sem esquecer de buscar o bem estar,
Em tudo que for executar,
Só assim se engrandecerá,
E não sentirá o trabalho que vai ter para colher.
Assim que é bom viver.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Escrevendo para Você

Autora: Mônica Melo


Queria saber escrever sobre sonhos,
Para quem quisesse cantar,
Para quem precisasse chorar,
Para quem ainda não sabe sorrir,
Nem ouvir, nem calar.

Desejaria escrever uma verdadeira poesia,
Para quem quer relembrar,
Para quem não sabe amar,
Para fazer pensar,
Mas que ousadia essa a minha,
São tão poucas essas linhas!

sábado, 4 de junho de 2011

Amor volátil

Autora: Mônica Melo


Melhor não escrever sobre você,
Porque posso te fazer enlouquecer,
Quando ler tudo que tenho para dizer,
Vai chorar ou pirar,
E facilmente o tempo daqui vai te levar,
Como um amor volátil,
Pode crer, é o que você vai ser,
Sem memória,
E sem história.

O verde me pintou

Autora: Mônica Melo


Hoje, de verde me pintei,
Amanhã, de rosa, amarelo, carmim estarei,
Nem sei...
Depende do que vou sentir,
Alegria, felicidade, saudade,
Ou apaixonada,
Permitirei uma cor combine,
Com o que vai vir de dentro de mim.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um brinde a amizade

Autora: Mônica Melo

Passado e presente se encontram, desde adolescentes irreverentes à adultos conscientes. Melo e Mazzone, se conheceram na juventude numa época em que as verdadeiras amizades são seladas com pactos de eternidade. O cenário do nosso filme foi tal qual os castelos medievais figurados por Bruxas e Dragões de LTC.

Quantos perigos superamos, graças a família que adotamos, em plena terra fria de reis e rainhas, como irmãs nós convivemos. Corremos do dragão poderoso que dizia-se uma diretora e do caldeirão preparado por bruxas de verdade, por sorte tantas vezes escapamos. Parecia até que fomos nós a inspirar as aventuras da saga de Harry Potter O nosso título poderia ser:  Teenagers ardendo no fogo do Schaller.

Nos capítulos seguintes que vieram foram de verdadeiras magias, ter que obedecer o horário britânico quando vinhamos da Dixeland, "Meia noite no máximo!" como umas Cinderelas. Nas manhãs, um de frio de rachar, corríamos para nos posicionar numa fila esquisita do lado de fora, pensavamos que era incêndio ao ouvir o alarme soar, porém era, o neurótico treinamento. Mesmo com tudo isso, nos divertimos a valer, saíamos para dançar, viajávamos para Londres de trem, outros castelos formos também visitar, e por fim tínhamos que estudar para nos testes passar e algum certificado para casa levar.

A verdade sobre aqueles meses é que aquela maravilhosa experiência marcou e acompanhou-me todos esses anos, deixando em minha memória as emoções tão intensamente sentidas que posso ouvir até agora o som Big-Ben a sinalizar que uma amizade de verdade faz o tempo parar, preservando amigas vindas de uma América sofrida, de Pizzarro e Bragança.

Trinta anos se passaram e tamanha foi a minha felicidade ao ver a querida amiga tão bem, a mesma carinha do passado adolescente, me fazendo desconfiar que aquele tempo conseguiu congelar a gente, mas o melhor é não calcular, e sim aproveitar a oportunidade para brindar, com Pisco Sour ou Chicha morada, tanto faz.
"Vamos comer ceviche e papas de todas as cores, posar para as fotos e relembrar o nosso grito de guerra: Viva Brasil e Peru carajo!"

Por fim, sentir a alegria de conhecer a família por minha amiga construída e sentir ganhar mais dois sobrinhos, Botto, como os meigos e amigos golfinhos do mar.

Deixo a ti um recado amiga querida: espero você qualquer dia nessa minha terra de praias e coqueiros, e poder apresentar a mis hijos uma tia maratonista, do lado oeste da nossa sulamérica, vinda das terras andinas de majestosos Incas.

Por fim deixo aqui uma e velha canção de recordação, que fala da fraternidade de uma grande amizade. "...I'm on your side, When times get rough, And friends just can't be found, Like a bridge over troubled water...If you need a friend, I'm sailing right behind, Like a bridge over troubled water, I will ease your mind..." (Paul Simon)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Despertar

Autora: Mônica Melo

Via em teus sonhos a minha foto,
Amassada e amarelada,
Não conseguia ver a mim mesma naquela imagem,
O estranho era que por fora até se parecia,
Com algumas diferenças,
Mais jovem sem as marcas do tempo,
Por dentro, todavia, era como um outro ser,
Aquele que você queria ter,
Bem diferente de mim,
Olhavas atento, com um contentamento de alguém que estava a fim,
E eu caminhava, hora por dentro, hora por fora,
Naquele sonho que não tinha fim,
Fiquei sem saber o que fazer.
Fácil seria entrar naquela foto e me permitir ser a mulher idealizada,
Então, amada por você, facilmente seria,
Ou poderia simplesmente sumir, roubando aquela foto ali de ti,
Assim você nem lembraria mais daquela imagem tão vista,
Porém decidi que o melhor é despertar você,
Para te deixar me conhecer,
E finalmente, poder mostrar a mulher que hoje sou,
Distante daquela que um dia você sonhou,
Acordou?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Recomeço

Autora: Mônica Melo

Deixei-os tão abandonados, meus papeis e lápis,
Ociosos ficaram, sem trabalho para fazer,
Poupei-os de riscos, rabiscos e garranchos,
Que são, por mim, largados em folhas pautadas,
Algumas vezes em plena madrugada,
Impedindo-os de dormir para simplesmente produzir,
Até o sol nascer...
Feliz fico ao perceber uma arte minha aparecer,
Ver de sobra papeis e lápis, todos gastos, usados e apontados,
Então sentir ao fim um grande prazer,
Em paz dormir e belos sonhos ter,
Para novamente me abastecer,
E assim ser capaz de recomeçar a escrever.

terça-feira, 29 de março de 2011

Luzes da Cidade

Autora: Mônica Melo
Vi uma vez,
Alguém exposto à rua, 
Estava ali há vários dias,
Ele não sorria, nem falava, apenas me olhava,
Tinha uma expressão dura, quase parada,
Não dava para imaginar o que pensava,
Onde estaria sua alma, presente ou passado?
E como acreditar ele em gente?
Se são tantos monstros na cidade,
A botar fogo em vidas de simples sobreviventes,
Certamente um futuro é difícil,
Sorriu ao avistar uma folha de jornal com o vento passar,
A noite está fria,
Pegou o jornal para se agasalhar.
O sinal abre,
Eu saio e ele fica,
Bem ali, sentado no meio fio,
Dormiu...

domingo, 20 de março de 2011

Rascunho


Autora: Mônica Melo


Tão bom remexer nos rascunhos das poesias minhas,
Transformar o quase descartado,
O lixo em escritos,
Reaproveitar,
Tirar e botar linhas, palavras, letras ou espaços,
Para encontrar, sentido, harmonia, naquilo que falo.
Indo e voltando várias vezes,
Reciclando o que outrora fora engavetado,
Atitude, olhar, gesto, gostar,
Desde o esboço à arte final,
Sem alvoroço.
Que bom se a vida fosse assim,
Erros comparados apenas a simples traçados,
Jamais enfatizados
Apontados ou julgados,
Mas os acertos,
As verdadeiras obras,
Como as dos grandes pensadores,
Verdadeiros iluministas.

terça-feira, 1 de março de 2011

Perseguição

Autora: Mônica Melo

Vivia com intensidade, tão fria, 
Um amor que em mim doía,
À luz pálida dos meus dias que só choviam,
Em meus pesadelos era ele quem aparecia,
Tamanho era seu fanatismo e ousadia,
Quando será que finalmente,
De mim, ele desistiria?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Libélula


Autora: Mônica Melo

Quem me dera ser agora, uma libélula,
A voar por sobre as flores do teu altar,
Para lá e para cá,
Derrubar todas, uma de cada vez,
Bem devagar, só para te irritar,
Pessoa má!
Será que isso faria você lamentar?
Ao pensar no que me fez,
Desprezando-me e descartando-me,
Como se fora flores secas de um jardim,
Ó que pobre imaturo indivíduo...
Nem entende uma mulher apaixonada!
Por isso, nem merece o amor que tem,
Mas como uma libélula,
Seguirei para bem longe de você,
Em vôos distantes a visitar flores,
De outros altares,
Dos que me aceitem e desejem meu gostar,
Desse jeito que sei tão bem voar e amar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ó Grande Poeta


Autora: Mônica Melo

Li um dia que Clarice escrevia, sobre o quê das pessoas deveria ela falar,
Ao perceber que faces balbuciavam, então, sons demonstrando que algo ainda estava para ser dito.
Imaginei um encontro com ela,
O que será que me escreveria?
Para tão nobre poeta, de mim, poderia ela falar o bem ou o mal, qualquer um que preferisse,
Nem me importaria, e todavia, exprimiria com vontade suas palavras criadas,
Uma personagem de um livro seu...
Devaneio meu?
Mas resultaria em alguém maior e melhor que eu,
Que sorte daquele que a inspirou um poema seu,
Dando vida a pensamentos tão geniais,
Representando assim, a pessoa que preferiu calar a falar,
Por temer ou até mesmo, desconhecer...
Quão bom seria ter em sua vida, uma atitude sua definida e jamais distorcida nos mais belos escritos de Lispector, grande Clarice.
E eu, que bom que descobri tão precocemente,
Que suas palavras eram para mim tão eloquentes,
Entretanto, era imatura para explicar, exatamente, o que em mim refletia,
Lembro apenas que ao ler, sorria,
Com a forma e significado daquilo que meus olhos viam,
Me perdia até num tempo, sem saber a hora ou dia que então ali estaria,
Se ao me deitar, estivesse eu com um livro seu...
Rapidamente partia em viagens e sonhos maravilhosos,
Provocados, fortemente, por tão valiosas linhas.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Escuta-me

Autora: Mônica Melo

Escuta-me agora,
Como nunca me escutaste antes,
Escuta-me como se fosse uma parte de mim,
E sentir tudo que vou te falar,
Escuta-me inteira,
Porque não são apenas as palavras que irão te dizer algo meu,
Falarei a ti com meu calar,
Assim com meu olhar, com meu amor, com meu pensar, com meu tocar,
Quero que intensamente me escute,
Só desta forma nos encontraremos,
Escuta-me!