Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

terça-feira, 29 de março de 2011

Luzes da Cidade

Autora: Mônica Melo
Vi uma vez,
Alguém exposto à rua, 
Estava ali há vários dias,
Ele não sorria, nem falava, apenas me olhava,
Tinha uma expressão dura, quase parada,
Não dava para imaginar o que pensava,
Onde estaria sua alma, presente ou passado?
E como acreditar ele em gente?
Se são tantos monstros na cidade,
A botar fogo em vidas de simples sobreviventes,
Certamente um futuro é difícil,
Sorriu ao avistar uma folha de jornal com o vento passar,
A noite está fria,
Pegou o jornal para se agasalhar.
O sinal abre,
Eu saio e ele fica,
Bem ali, sentado no meio fio,
Dormiu...

domingo, 20 de março de 2011

Rascunho


Autora: Mônica Melo


Tão bom remexer nos rascunhos das poesias minhas,
Transformar o quase descartado,
O lixo em escritos,
Reaproveitar,
Tirar e botar linhas, palavras, letras ou espaços,
Para encontrar, sentido, harmonia, naquilo que falo.
Indo e voltando várias vezes,
Reciclando o que outrora fora engavetado,
Atitude, olhar, gesto, gostar,
Desde o esboço à arte final,
Sem alvoroço.
Que bom se a vida fosse assim,
Erros comparados apenas a simples traçados,
Jamais enfatizados
Apontados ou julgados,
Mas os acertos,
As verdadeiras obras,
Como as dos grandes pensadores,
Verdadeiros iluministas.

terça-feira, 1 de março de 2011

Perseguição

Autora: Mônica Melo

Vivia com intensidade, tão fria, 
Um amor que em mim doía,
À luz pálida dos meus dias que só choviam,
Em meus pesadelos era ele quem aparecia,
Tamanho era seu fanatismo e ousadia,
Quando será que finalmente,
De mim, ele desistiria?