Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Juventude se vai

Autora: Mônica Melo

Escrevo e apago,
Tudo que faço,
Quando não tem nexo.
Deixo de lado,
fazer por fazer,
Não me satisfaz.
Dúvidas vêm e vão,
Até parece que não sei mais,
Pesquiso e descubro o que me atrai.
Vejo que esqueci daquilo que me tirou a paz,
Mesmo se eu olhar para trás,
Será que isso traduz uma idade que agora me faz?
Tornando-me um ser até capaz,
De fazer coisas que antes era incapaz,
Me transformando e modificando...
E o tempo para mais longe se vai,
Distanciando aquela bela juventude,
Que por hora, agora, mais rápido,
Realmente se vai.

Momento amigo

Autora: Mônica Melo

Um momento que vale a pena 
É o que preenche em si todos os vazios,
Pode até ter sonhos,
Desejos,
Todos os medos...
Cabe emoções, conquistas e vitórias,
Porém grandes são os momentos,
Que marcam com verdade,
Vidas...
Várias historias,
A minha,
A sua,
As que cruzam as nossas,
Deixando junto,
Leveza,
Alegria,
Ironia...
Transforma, soma,
Faz diferença,
Conversar com meu grande amigo,
Nesse mundo de agonia,
Alivia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sou eu

Autora: Mônica Melo

Gosto de samba e rock,
Também de soul e blues,
Tomo tequila, vinho e guaraná,
Viajo no frio ou calor,
Para montanha ou para o mar,
Adoro ver o por do sol,
Sinto saudade, tristeza, felicidade,
Desconcertante é a timidez,
Gosto de ler e escrever,
Mas aprender a sambar, isso seria bom demais!
Errar e recomeçar,somos todos humanos,
Amar e abraçar,
Falar as besteiras com amigos, sem parar para pensar,
Fazer amor sem adoecer,
Correr uma maratona e terminar até em último lugar,
Ensinar, compartilhar o que de bom aprender,
Mergulhar no calor,
E no frio, queria esquiar,
Ajudar quem de mim precisar,
Ver criança brincar,
Estar no meu silêncio, dá uma paz...
Impossível é tentar meditar.
Descobrir sempre quem eu sou,
Que trabalho difícil de terminar,
Já que a cada dia,
A vida continua a me transformar.

A poesia vira vida

Autora: Mônica Melo
Parece que a poesia fugiu de minhas mãos,
Para tomar conta do meu corpo,
Da minha alma,
Juntando todas as letras e palavras,
Que um dia habitaram os papeis,
E hoje se materializam em mim.
Sempre quando estou ao lado teu,
Pratico o que criei,
Escrevendo-te beijos ardentes em tua boca,
Trocando as folhas brancas,
Por uma vida de amor,
Intensa e feliz.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Casa abandonada

Autora: Mônica Melo
Entro em cada um dos cômodos,
Sem saber o que buscar,
Enxergo os detalhes sórdidos do abandono,
Teia de aranha, poeira, insetos, sujeira,
Caminho por sobre o assoalho que faz barulho de estremecer,
Passo por portas que não param de ranger,
Assim como dentes amedrontados,
Nem sei o que fazer,
Por onde percorrer,
Minha voz provoca eco que reverbera naquele ar,
Procuro vida, pessoas, calor,
Encontro só mofo no sofá.
Desço ao porão,
Vejo sinais de vidas já vivida,
Fotos de um tempo feliz,
Roupas de baile,
Livros de romance,
Discos de músicas, tangos, boleros e blues,
Vinhos e taças de cristais,
Tudo perdido num grande baú,
Em que se guarda uma existência antiga,
Não mais vida,
Trancadas em sete chaves,
Para esconder um não sei o que,
De sei lá quem,
Que se fez nunca mais lembrado,
Bem perdido num tempo,
Como aquele relógio parado,
Com ponteiros quebrado.
Da sala de jantar,
De uma casa isolada,
Situada numa mata fechada,
Sairei dali, mas deixarei portas e janelas abertas,
Esperando não sei quem, não sei quando,
Para nem sei o que,
Mas com esperança de um eterno recomeçar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um romance de paz

Autora: Mônica Melo
Entras em mim tão devagar,
Quase sem querer atrapalhar,
Num silêncio delicado,
Onde há apenas carinhos, sussurros e o vento nas árvores
Sinto-me contigo protegida, amparada,
Absorvida em teus pensamentos.
Saber que pensas em mim, jamais me fará rir de ti,
Ao contrário me faz te enxergar diferente dos demais,
Te querer com ou sem óculos,
A me enxergar por inteira,
Como uma mulher,
Que ama  e quer ser desejada,
Por você.

domingo, 12 de setembro de 2010

Vida intensa

Autora: Mônica Melo

Dia gostoso, de sol e mar,
Com frescor do vento leve da manhã,
Sinto a liberdade ao pedalar sem cansar,
Caminhar sob o sol e sobre pedras,
Brincar como criança,
Fazendo guerra de areia e voltar à infância,
Jogar, correr, pular, cair, nadar,
Se embriagar com os amigos,
Rir, cantar, dançar,
Amar e ser amado,
Surpresas que acontecem quando menos esperamos,
Isto sim dá sentido a vida,
A vida que deve ser leve como uma pluma,
Quero ter sempre meus dias assim,
Sendo eu mesma,
Com liberdade para expor o que penso,
Sem as couraças do dia a dia,
Que querem nos transformar em seres perfeitos,
Não para si, mas para os outros,
Esses modelos amarram com camisa de força,
A qualquer um que aceite se engessar,
Perfeito é ser feliz com a sinceridade da alma,
Tê-la leve e feliz por realizar aquilo que verdadeiramente,
Se ama e deseja.

sábado, 11 de setembro de 2010

Sabor da fruta

Autora: Mônica Melo

Carambola, rebola, fruta amarela,
Cheiro de uva verde sem caroço,
Vou descascar um abacaxi e dá-lo para ti,
Chupar uma seriguela,
Que alegra uma magrela ao fazer um doce de graviola,
Vai virar geleia que gela o nariz,
E pinta de pitanga do vermelho da fruta,
Perfuma de goiaba sua orelha,
Melhor correr atrás da pinha desmanchada,
Vitaminá-la e saboreá-la,
Acerolar os dias mais amargos com azedo dessa fruta,
E brincar suavemente com as sementes  de todas elas,
Para plantá-las juntas numa única árvore,
Cultivar assim as frutas mais gostosas,
Com os doces, amargos, azedos e suculentos sabores,
Por nesse novo fruto teu nome,
Colher todos só para mim.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Música do Coração

Autora: Mônica Melo

O piano toca uma canção,
Ela é de difícil tradução,
Corro para ouvir teu violão,
Que insiste em ensaiar músicas da outra paixão,

Com força vem as notas dos órgãos,
Que agita minha audição,
Vem um som grave,
Como o teu não,

Uma mistura de ritmos,
Tango, jazz e soul,
Isso lembra meu coração,
Que bate forte com teu beijo,
E sua voz ao me falar,
Não sei porque razão,
Provoca em mim tanto bem estar,

Cante-me então,
Sob a lua cheia,
Juntos ficaremos,
Acalmaremos, assim, tanta agitação,
Essa é a melhor música,
A da nossa emoção.

O giro do nosso mundo

Autora: Mônica Melo

Você foi uma surpresa hoje para mim,
Minha vida já não gira em torno de você,
Quero um mundo rodando muito,
Sem me deixar tonta,
Ou sem perder o chão que piso,
Me mostrado todas as possibilidades de felicidade,
Solta das prisões que a vida quer comandar,
Sem as amarras tuas,
Pois não aproveitastes meu bem querer,
Lamento por ti,
Durante  muito tempo achei que você seria o único,
Comecei a olhar para os lados e descobrir um mundo,
Cheio de tantas outras possibilidades,
E eu presa ao teu amor,
Sem querer sair de ti,
Vou agora,
Sem hora,
Talvez voltarei ou talvez não,
Seguirei,
Dobrarei a esquina e entrarei em outros espaços,
Viajarei para outras cidades, pequenas, grandes...
De muitos ou poucos ambientes,
Sozinha ou acompanhada, isso nem importa,
Mas sempre de bem com tudo que tenho,
Sem ódio ou rancor,
Com leveza,
As vezes com pressa,
Outras vezes não.

Perguntas sem Respostas

Autora: Mônica Melo

Porque, onde, quando, como,
Pergunto-me por essas respostas,
Algumas delas encontro,
Muitas nunca encontrei,
Então, sigo a procurá-las,
Olho em todos os lugares,
Saio nas noites quentes,
Nos dias de chuva,
Nas manhãs de muito vento,
Nas tardes bucólicas das montanhas,
No terral das praias distantes,
No campo ao amanhecer,
Sigo assim minha vida,
Tentando desvendar segredos da alma minha,
Do tua e da nossa,
Dos corações que nem conheço,
De quem me pede ajuda,
Dos que amo,
Dos que não me querem bem,
Dos que estou descobrindo,
Dos que me rejeitam,
Dos que me envolvem,
Da natureza, da vida e do amor,
Quero aprender, entender tudo isto cada dia mais,
E para ti passarei tudo que sei,
Somarei com o que ganhar,
Entao ganharei um mundo novo,
Este será o meu tesouro,
Em um lugar sagrado o colocarei,
Com o destaque e cuidados merecidos,
Levarei comigo, até quando não estiver mais aqui,
E a vida minha, possa ficar naqueles que ensinei,
Amei, dividí, ganhei, sofri, aprendi,vivi.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vinho da melhor safra

Autora: Mônica Melo

Tenho um batom,
Da cor do vinho que tomamos.
Marquei a taça que bebi com meu batom,
Para trocar com a sua,
E te ver encostando sua boca na minha,
E ter mais rápido o teu beijo com o sabor da uva,
A molhar com os seus lábios o seco daquele vinho,
Poder senti-los então suavemente sobre os meus,
Desejei estar ali uma noite inteira,
A te olhar, sem pensar em nada mais,
E me embriagar com o desejo daquele tão esperado beijo,
Que de repente, me roubaste,
Quando me fitastes e me bebestes,
Uma garrafa inteira,
Degustada como um vinho da melhor safra,
Marcastes assim um momento mágico,
Ficou eternizado com um brinde,
A nós!
Sem nem importar o que vem depois.

sábado, 21 de agosto de 2010

Simplismente S

Autora: Mônica Melo

Sou sagitariana,
Sinto simplesmente saudade, serenidade.
Semeio sensatez, sinceridade, saciedade,
São semipreciosidades.
Separo sacrifício, santidade.
Sento sobre sépalas sacramentando sofrimento.
Suavizo soberba sua.
Sobrecarrego sua sabedoria superestimando-o.
Solitária sinto sua sede,
Sorridentemente sorrateias sem sensibilidade.
Sofro.
Substitui sentimento...
Superaquece sol sobre si, sublimando-o, superiorizando-o,
Somarei surpresas só suas,
Suicidarei sentimento suscetível,
Suplicarei seu sangue sobre sua supremacia,
Satisfeita sou.
Substancialmente solidificados somos.
Sem sobreviver, subtrairei severamente,
Socorro solicito.
Seguirei simplesmente,
Suavemente, sim, saboreando,
Sábados, sextas, segundas-feiras, semanas, semestres, séculos....
Só sua serei sempre,
Somente seu sonho sou, sim, sutilmente,
Somos sábios satisfeitos seduzidos.
Salvos sentiremos,
Surpreendidos,
Semelhantes santos seremos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sintonia

Autora: Mônica Melo


Planeja-me como em teus sonhos,
Constrói-me em tua planta.
Deixe livre os ambientes,
Sem paredes ou tijolos,
Para que possamos sair e entrar,
Sempre que quisermos nos encontrar,
Pois é só a liberdade que nos permite criar e imaginar,
E aceitar a emoção boa dentro da gente,
A comunicação entre nós flui sem barreiras.
Porque há uma gostosa química nas físicas nossas.
Achamos juntos uma tranquila sintonia,
Na mesma freqüência ficamos por meses,
Ao som de jazz e blues,
A música ecoando dentro de nós,
Como um afinado saxofone,
A embalar nossos corpos,
No ritmo de um amor que um dia sentimos.

Mundo louco doido torto

Autora: Mônica Melo

Como é possível,
Alguém beber o sangue de sua mulher com cachaça?
Que mundo louco, doido e torto esse o nosso,
Penso que uma mutação só pode estar acontecendo,
De seres humanos para vampiros,
Onde será que chegaremos?
Ao ponto de esquartejar nossos corpos e virarmos ração para cães?
Quão humanos são esses seres que se dizem gente?
Doido, louco, torto é mesmo esse tempo,
De dor, desilusão, agressão, frustração e violência,
Que transformou essa nossa própria casa.
Em que planeta mesmo estamos vivendo?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Água, terra, ar e fogo.

Autora: Mônica Melo

Lágrimas, água, saliva, suor, sêmem, rio, mar.
Inunda minha alma de todos os líquidos.
Afoga-me em sua mente e não me deixem sair.
O sangue do seu corpo tem a cor da flor que jamais me destes.
A chuva cai lavando o amor que não quero mais.
Melhor sair de perto e afastar-se de mim .
Desça pela correnteza para bem longe de minha vida.
Desespere-se, Chore, Implore!
Os pingos gelados da chuva trazem novos arrepios,
Aqueles que não são mais teus.
Não me importo,
Pois eu não mais te quero.

Areia, poeira, grão, semente.
Minha mão tateia por tua pele.
Sinto a textura dos teus pelos macios e leves.
Deixe que te faça castelos de areia,
E nele viver toda nossa história.
Semeando sementes de paixão ,
E nos eternizando quando plantar nossos momentos mais felizes de excitação.

Cheiro, perfume, aroma de flor que colhi para ti.
Teu corpo exala essência de fruta cítrica.
Meu nariz sente teu respirar.
Teu cheiro de homem me embriaga.
Expiro meu amor para encher os teus pulmões,
E nunca mais faltar o teu ar.
Aspiro você para me alimentar,
Não preciso mais comer ou beber,
Pois estou saciada,
E Viciada no teu cheiro.

É tudo muito quente, é fascinante, arde e atrai.
Quero o fogo do teu desejo por mim,
Como paixão, que cresce, sobe e desce, movimenta-se e dança.
Como você sobre mim.
Tudo me incendeia se te vejo ou te beijo,
Inflama-me de ciúmes e desejo,
Se te desoriento ou provoco.
Abraça-me então com seus braços fortes,
Quero suar com seu calor, até ferver a minha pele,
E para sempre derretermos com todo nosso amor.

ESPELHO EMBAÇADO

Autora: Mônica Melo

Algo embaça o espelho do banheiro,
Não consigo ver,
O brilho e a nitidez dissipam-se,
A fumaça vem e circula o espelho,
A minha visão acostuma-se aquela nuvem,
Mas a temperatura com o frio cai,
O ar vem vindo levando o vapor.
O que surgirá naquele espelho?
Assusto-me,
Vem um medo do que nāo conheço,
Apaguem a luz,
Porque desembaçou,
Nāo foi eu quem gritou,
Percebo sem embaraço,
Uma mulher de forma simples,
E é a imagem minha que vejo,
Tão verdadeiramente,
Eu, espelho meu...
Embaçou.