Quem sou eu

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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um brinde a amizade

Autora: Mônica Melo

Passado e presente se encontram, desde adolescentes irreverentes à adultos conscientes. Melo e Mazzone, se conheceram na juventude numa época em que as verdadeiras amizades são seladas com pactos de eternidade. O cenário do nosso filme foi tal qual os castelos medievais figurados por Bruxas e Dragões de LTC.

Quantos perigos superamos, graças a família que adotamos, em plena terra fria de reis e rainhas, como irmãs nós convivemos. Corremos do dragão poderoso que dizia-se uma diretora e do caldeirão preparado por bruxas de verdade, por sorte tantas vezes escapamos. Parecia até que fomos nós a inspirar as aventuras da saga de Harry Potter O nosso título poderia ser:  Teenagers ardendo no fogo do Schaller.

Nos capítulos seguintes que vieram foram de verdadeiras magias, ter que obedecer o horário britânico quando vinhamos da Dixeland, "Meia noite no máximo!" como umas Cinderelas. Nas manhãs, um de frio de rachar, corríamos para nos posicionar numa fila esquisita do lado de fora, pensavamos que era incêndio ao ouvir o alarme soar, porém era, o neurótico treinamento. Mesmo com tudo isso, nos divertimos a valer, saíamos para dançar, viajávamos para Londres de trem, outros castelos formos também visitar, e por fim tínhamos que estudar para nos testes passar e algum certificado para casa levar.

A verdade sobre aqueles meses é que aquela maravilhosa experiência marcou e acompanhou-me todos esses anos, deixando em minha memória as emoções tão intensamente sentidas que posso ouvir até agora o som Big-Ben a sinalizar que uma amizade de verdade faz o tempo parar, preservando amigas vindas de uma América sofrida, de Pizzarro e Bragança.

Trinta anos se passaram e tamanha foi a minha felicidade ao ver a querida amiga tão bem, a mesma carinha do passado adolescente, me fazendo desconfiar que aquele tempo conseguiu congelar a gente, mas o melhor é não calcular, e sim aproveitar a oportunidade para brindar, com Pisco Sour ou Chicha morada, tanto faz.
"Vamos comer ceviche e papas de todas as cores, posar para as fotos e relembrar o nosso grito de guerra: Viva Brasil e Peru carajo!"

Por fim, sentir a alegria de conhecer a família por minha amiga construída e sentir ganhar mais dois sobrinhos, Botto, como os meigos e amigos golfinhos do mar.

Deixo a ti um recado amiga querida: espero você qualquer dia nessa minha terra de praias e coqueiros, e poder apresentar a mis hijos uma tia maratonista, do lado oeste da nossa sulamérica, vinda das terras andinas de majestosos Incas.

Por fim deixo aqui uma e velha canção de recordação, que fala da fraternidade de uma grande amizade. "...I'm on your side, When times get rough, And friends just can't be found, Like a bridge over troubled water...If you need a friend, I'm sailing right behind, Like a bridge over troubled water, I will ease your mind..." (Paul Simon)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Despertar

Autora: Mônica Melo

Via em teus sonhos a minha foto,
Amassada e amarelada,
Não conseguia ver a mim mesma naquela imagem,
O estranho era que por fora até se parecia,
Com algumas diferenças,
Mais jovem sem as marcas do tempo,
Por dentro, todavia, era como um outro ser,
Aquele que você queria ter,
Bem diferente de mim,
Olhavas atento, com um contentamento de alguém que estava a fim,
E eu caminhava, hora por dentro, hora por fora,
Naquele sonho que não tinha fim,
Fiquei sem saber o que fazer.
Fácil seria entrar naquela foto e me permitir ser a mulher idealizada,
Então, amada por você, facilmente seria,
Ou poderia simplesmente sumir, roubando aquela foto ali de ti,
Assim você nem lembraria mais daquela imagem tão vista,
Porém decidi que o melhor é despertar você,
Para te deixar me conhecer,
E finalmente, poder mostrar a mulher que hoje sou,
Distante daquela que um dia você sonhou,
Acordou?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Recomeço

Autora: Mônica Melo

Deixei-os tão abandonados, meus papeis e lápis,
Ociosos ficaram, sem trabalho para fazer,
Poupei-os de riscos, rabiscos e garranchos,
Que são, por mim, largados em folhas pautadas,
Algumas vezes em plena madrugada,
Impedindo-os de dormir para simplesmente produzir,
Até o sol nascer...
Feliz fico ao perceber uma arte minha aparecer,
Ver de sobra papeis e lápis, todos gastos, usados e apontados,
Então sentir ao fim um grande prazer,
Em paz dormir e belos sonhos ter,
Para novamente me abastecer,
E assim ser capaz de recomeçar a escrever.