Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Baile da Despedida



Pedro e sua avó
Foi emoção pura, o que vi em seus olhos,
Uma mistura de saudade e tristeza.
E você pensava que seria tão festejada a chegada deste dia.
Pois seria o fim do Boletim,
Das unidades,
Das chamadas oral, das recuperações e finais,
Fim do fardamento completo,
Da pasta para assinar, de ter que levar a mãe para conversar,
Nada de tarefas, aulas de geografia ou biologia.

Quem diria que ao chegar esse dia,
O dia da última página do seu Livro Escola,
Veria em você um toque de nostalgia.

Não dá para simplesmente seguir em frente,
Pegar este belo livro escrito com a primeira parte de sua história,
E largá-lo numa estante qualquer para enfeitar,
Foram cerca 2920 páginas escritas,
De muitas contos, romances, dramas e aventuras,
Tudo isso no mesmo lugar,
O pátio da Santa Maria.

O que fazer agora?
O jeito é alargar essas horas,
Com festa todos os dias!
Baile a rigor, a after, a after da after,
Assim vocês resolveram emendar,
E comemorar, de leve, já que tem Roacutan para tomar.
Ver-se todas as horas,
Esticar essa história,
Pois ninguém nunca fez guerra,
Ou escravizou povo algum.

Mas sempre, grandes amizades, 
E muitos tratados selados com a galera,
De pelada, de festas e pegação,
Na moral "véi", tudo isso naquela escola, 
Cheia severas regras, de azulejos azuis,
Ponte, lago com peixes e hinário.
Vocês acompanharam lá a nova era,
A era da RosaAmélia,
Ela agora como diretora,
Após a Morte de Dodô, a fundadora.

Mas é chegada a hora,
Não a do Recreio ou a de largar quando tocar,
Nem a dos Jogos da amizade,
A hora que te falo agora, filho, é a do Adeus,
Do Adeus ao seu colégio,
Do Adeus aos anos que não voltarão mais,
E quando, um dia, você se ligar,
Terão passado, a jato, tanto tempo.
E quando você ouvir uma velha música tocar,
(“…now you’re just somebody that I used to know…”)
Vai recordar do ano do seu vestibular,
Ano da dobradinha dia doze, do mês doze e ano doze,
De um Enem na sala doze,
Um ano de maturidade,
Da reeleição de Obama,
Do furacão em Manhattan,
Ano que você soube o que era ser criado por vó,
E que mesmo com toda a correria,
Teve direito a uma viagem para um porto,
Não tão seguro, aos meus olhos.
Foi um ano de muitas redações e recordações.

Meu filho, espero que você lembre-se sempre,
Do discurso do seu professor de literatura,
Na sua festa de formatura,
Assim nenhum nome que foi dito, será esquecido.

Quero deixar aqui o meu recado, filho querido.
Nunca abandone o sentimento mais sublime,
O de sempre valorizar as amizades verdadeiras,
Mesmo que se passem 5,10, 15 anos ou mais,
Independente do título, se mestre ou doutor,
Que vocês continuem a ser simplesmente,
"Galego","Tonhão", "Cuca", "Uzaboy", "Ray",
"Muniz", "Balove","Gê","Cadão", "Cabeça", 
"Pipos", "Tedy", "Sueta", "Julinha", "Owal", 
Entre outros, todos tão belos amigos.

E ainda te digo o mais importante de tudo,
Não se perca de você,
Busque seus sonhos,
De um belo futuro, 
De ser um bom engenheiro,
Os seus sonhos de jovem,
Que iniciaram-se naqueles dias,
Nos dias de Santa Maria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário