Quem sou eu

Brazil
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estória Encantada

Autora: Mônica Melo

Delataste o teu amor sentido,
Pelo roubado beijo dado,
Proibida a reprodução
Do poeta na personagem,
Criada na sua fantasia escrita.

Ser para ele a mulher sonhada,
Vinda de suas estórias encantadas,
Agora tem sua vida própria,
Não mais presa nas folhas pautadas.

Mas num mundo longe da ficção,
Perdeu de vez, ele, sua protagonista,
Agora numa vida sem manipulação,
Não troca mais sua liberdade,
Por nenhum livro de ação,

Poeta triste e solitário,
Escreve entao outro romance,
Em que a sua heroína,
Se transforma em esposa,
Daquele que vem a cavalo,
Era o plebeu, o poeta,
Ou um príncipe encantado?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Carnaval

Autora: Mônica Melo



Não tem tristeza, chegou o Carnaval!
Vamos atrás de algum bloco para se contagiar com a alegria,
Viver cada momento eletrizante,
Andar pelas ruas e olhar todo povo saltitante,
A pular pra cá e pra lá, em grupos ou turma,
A procura de alguém para frevar,
Beber, ficar ou paquerar.

Festa feliz de cores e muita arte,
Com lindas fantasias e estandartes,
Realizando o sonho de ser qualquer pessoa,
Freira, padre, fada, pirata, bruxa ou homem de lata,
Ousar sambar como as mulatas,
No carnaval tudo pode!

Tanta criatividade nas ruas e nos bailes,
Romances também são rompidos,
Outros iniciados e bem resolvidos,
As máscaras nos rostos não escondem nada,
Nem as intenções, tão pouco quem são.

Pessoas esquecem a dor,
Ali alma não chora,
Subindo e descendo as ladeiras de Olinda,
Ou nas antigas ruas do nosso Recife,
Se entregar os quatro dias de festa,
Até a chegada da ingrata quarta-feira.


    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

    Embalagem



    Autora: Mônica Melo

    Lago Ontário, Toronto, Canadá

    Sobre vaidade a mulher transforma,
    Cabelos, pele, dentes.
    Ávida beleza até agradar espelho,
    Raro me satisfaço com o que vejo,
    De um jeito temo o olhar alheio,
    Daqueles que amo e odeio.
    Difícil é ser livre da porção imagem,
    Roupa, sapato, batom no tom,
    Quem me dera poder mandar à merda,
    Moda amordaçada e presa,
    Embalagem e rótulos tão iguais.
    Criar e usar a estampa que me veste alma,
    Olhar o espelho e enxergar,
    Mulher mais feliz e bela.