Quem sou eu

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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Casa abandonada

Autora: Mônica Melo
Entro em cada um dos cômodos,
Sem saber o que buscar,
Enxergo os detalhes sórdidos do abandono,
Teia de aranha, poeira, insetos, sujeira,
Caminho por sobre o assoalho que faz barulho de estremecer,
Passo por portas que não param de ranger,
Assim como dentes amedrontados,
Nem sei o que fazer,
Por onde percorrer,
Minha voz provoca eco que reverbera naquele ar,
Procuro vida, pessoas, calor,
Encontro só mofo no sofá.
Desço ao porão,
Vejo sinais de vidas já vivida,
Fotos de um tempo feliz,
Roupas de baile,
Livros de romance,
Discos de músicas, tangos, boleros e blues,
Vinhos e taças de cristais,
Tudo perdido num grande baú,
Em que se guarda uma existência antiga,
Não mais vida,
Trancadas em sete chaves,
Para esconder um não sei o que,
De sei lá quem,
Que se fez nunca mais lembrado,
Bem perdido num tempo,
Como aquele relógio parado,
Com ponteiros quebrado.
Da sala de jantar,
De uma casa isolada,
Situada numa mata fechada,
Sairei dali, mas deixarei portas e janelas abertas,
Esperando não sei quem, não sei quando,
Para nem sei o que,
Mas com esperança de um eterno recomeçar.

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