Quem sou eu

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O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. "Clarice Lispector"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Frequência Urbana

Autora: Mônica Melo

Bate estaca nas construções, helicópteros e aviões, 
Sirenes de ambulâncias e camburões, 
Apitos, buzinas de carros e motos ressoam de um trânsito louco,
Propaga-se na atmosfera um som sem harmonia, 
Que paira sobre a vida urbana.

O ter ensurdece e emudece o ser, 
Os valores de outrora agora desvirtuados, 
É uma verdadeira violência pela sobrevivência,
Que reverbera nas paredes de concreto dos altos prédios,

Nosso ar sufocado, circula viciado sem ser renovado,
Os seres humanos cada vez mais neurotizados,
A fugir da realidade doentia, com os comprimidos da alegria.
Nas grandes cidades, até as imagens gritam
E ecoam sobre nosso corpo frágil seu poder dia a dia.

Com os fones nos ouvidos os jovens param de se comunicar,
Nem podem perceber o som das ondas do mar,
O pulsar do coração, a paz, a dor ou o amor.

Quem atinge a profunda frequência do inaudível
Consegue com a alma escutar,
"...Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente...
...Grita ao céu e a terra toda a natureza!"

É Bachianas brasileiras a tocar.



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